
Em meio a tantas histórias tristes, há um encantador estúdio de pintura, improvisado em um dos galpões do Centro de Acolhimento para o Projeto de Meninos Pintores. Participa quem quiser, mas é preciso levar a sério. Oito meninos passam a maior parte do tempo ali, orientados por Christian, nome artístico de Carlos, 17 anos, que já morou no Centro, hoje mora com a tia. O jovem transmite aos aprendizes as técnicas que aprendeu sozinho e em um curso que não pôde concluir, porque o professor foi embora.
Agora os meninos estão aprendendo retratos. Isaac João, de 13 anos, se debruça sobre a contracapa de u

m caderno escolar de onde tira a imagem do presidente para ampliar em uma folha de papel A3. Ele é um dos meninos acusados de feitiçaria. Isaac, que sonha em ser artista plástico, explica um dos seus quadros:
“Um corpo que carrega uma bola. A bola é o mundo e Angola está ali dentro. Angola está em paz. Se ele deixar a bola cair, acaba a paz. A bola está pesada e ele está cansado, por isso está curvado. Mas não quer deixar a bola cair. As gotas que saem da sua cabeça são lágrimas”.
Com a ajuda de voluntárias Renata e Eliane, os Meninos Pintores fizeram exposição shopping e deram entrevista a jornais da cidade. Christian recebeu a encomenda de vários retratos. Do dinheiro que recebe, metade fica para a compra de materiais para a oficina. Os próprios meninos saem para comprar e negociar as tintas e papeis.